Profissões do futuro: o que vai sumir até 2030 e o que isso muda pro seu filho
Pai da Ana Beatriz e fundador do Fator Pai
23 de junho de 2026 • 4 min de leitura · Atualizado em 4 de julho de 2026

Até 2030, 92 milhões de empregos podem desaparecer. O que o relatório do Fórum Econômico Mundial muda na forma de pensar o futuro do seu filho.
Até 2030, 22% dos empregos que existem hoje vão passar por mudança significativa. Não é previsão de futurista de congresso, é número do relatório mais citado sobre o tema, o Future of Jobs Report do Fórum Econômico Mundial, divulgado em janeiro do ano passado.
Trabalho com televisão há vinte anos. Vi o telejornal mudar de fita pra arquivo digital, de equipe de dez pra equipe de três fazendo o trabalho de dez. Quando penso no que a Ana Beatriz vai escolher como profissão, penso primeiro no que já vi desaparecer dentro da minha própria redação.
O levantamento do Fórum Econômico Mundial ouviu mais de 800 empresas em 45 países, incluindo o Brasil, representando mais de 11 milhões de trabalhadores. A projeção é de 170 milhões de empregos novos até 2030 e 92 milhões de empregos eliminados, o que dá um crescimento líquido de cerca de 7%. Os números parecem grandes e abstratos até você olhar a lista de funções com maior risco: atendente de correio, caixa de banco, operador de telemarketing, auxiliar administrativo, assistente jurídico, caixa de supermercado. Funções que existem hoje em quase toda cidade do Brasil.
O Brasil está dentro dessa amostra, não é estatística só de fora. E o recorte setorial ajuda a enxergar isso de perto. Funções repetitivas, em atendimento, processamento de dado e tarefa administrativa, perdem espaço primeiro, em qualquer país. Funções que misturam julgamento humano com tecnologia, da saúde à energia, crescem primeiro também em qualquer país. A diferença entre o Brasil e os países com previdência e rede de proteção mais forte é que aqui a transição custa mais caro pra quem fica no meio do caminho sem requalificação.
Do outro lado da mesma lista estão especialista em inteligência artificial, analista e cientista de dados, especialista em energia renovável e cibersegurança. O relatório também mostra que 59% da força de trabalho mundial vai precisar se requalificar até 2030, e que 39% das competências usadas hoje em qualquer profissão vão precisar de atualização no mesmo período.
Aqui está o dado que acho mais importante de levar pra casa, porque ele não fala de profissão específica, fala de habilidade. O próprio relatório lista pensamento analítico, resiliência, criatividade e capacidade de liderar pessoas como as competências que continuam tendo valor independente de qual profissão a tecnologia ainda não inventou. Ou seja, a pergunta certa pro filho não é que profissão você quer ter, é que tipo de problema você gosta de resolver.
Confesso que desconfio um pouco do gancho fácil de profissão que vai sumir, porque relatório de tendência erra direção o tempo todo e a vida real tem mais nuance do que ranking. Caixa de banco já estava em queda há uma década antes do ChatGPT existir. Mas dá pra usar esse tipo de dado sem virar profecia: ele serve pra mostrar pro filho que escolher carreira só pelo salário de hoje, sem pensar se a tarefa principal dela é repetitiva ou não, é apostar contra um relatório que tem peso técnico considerável atrás.
Não vou sentar com a Ana Beatriz de oito anos pra falar de currículo. Mas já decidi uma coisa: vou tratar curiosidade e gosto por resolver problema como mais valioso do que nota em matéria específica. Resiliência, segundo o próprio relatório, é citada com mais frequência por empregador do que qualquer habilidade técnica isolada.
Profissão certa em 2030 talvez nem tenha nome ainda. Aposta mais segura é treinar, desde já, a parte que nenhuma atualização de IA substitui: a vontade de aprender de novo quando o que você sabia parou de servir.
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